domingo, 13 de outubro de 2013

Os personagens mais "foda" do cinema nacional

   Dos anos 50 ao momento presente

   Não precisa ser cinéfilo pra se ter na ponta da língua exemplos de tipos fodões no cinema americano. Todos tem os seus eleitos e unanimidades também existem. Mas, vc já parou pra pensar quem são os personagens mais marcantes fodões do cinema brasileiro? É bem provável que não, até porque o cinema nacional tradicionalmente não explora esse tipo de arquétipo em seus filmes e também vc deve ser um cara normal e tem mais o que fazer do que ficar pensando essas coisas. Entretanto, fazendo uma análise pela história do cinema brasileiro identificamos alguns personagens que foram ou são tão ou mais inesquecíveis quanto um Indiana Jones, um Rambo, um Ferris Bueller, um Axel Foley, Dirty Harry (foto), Marty Mcfly, Darth Vader. Só que não. 
   É, talvez o nosso cinema não seja mesmo tão prolífero na criação de ícones pop, temos que admitir. Mas de qualquer forma trago a vcs alguns dos personagens nacionais que se não estão em nenhuma lista de caras mais fodas do cinema ever, são, pelo menos pra mim, os personagens mais emblemáticos e criativos do cinema nacional!




Mazzaropi - A verdade é que hoje em dia só os mais saudosistas suportam ver um filme dele até o fim.  Entretanto, esse cara marcou o cinema nacional com 32 filmes que gerações cresceram assistindo e amando. E apesar de seu personagem mudar de nome de filme para filme, aparecendo em alguns como Jeca, o caipira desengonçado se confunde com seu criador e a tradição popular consagrou-o mesmo com o nome de Mazzaropi. 







Macunaíma - O filme começa com uma cena bizarra mostrando o nascimento do herói (anti-herói). Ele nasce já com esse tamanho e com essa cara aí que vc vê na foto e a mãe dele é um homem! (hã?). Depois disso fica seis anos sem falar e sem fazer nada a não ser alguma sacanagem. Quando perguntam algo pra ele tudo o que responde é "aí que preguiça". E como se já não bastasse ele adiante na trama vira branco. Mas eles não pintam ele de branco nem nada, um outro ator (Paulo José) passa a interpretá-lo no filme. É isso que eu chamo de um personagem foda!






Antônio das Mortes - Matador de cangaceiro. Matador de Corisco, um outro personagem do cinema nacional que entraria na lista se o post fosse maior. 
Antônio das Mortes aparece em dois filmes de Glauber Rocha, Deus e o Diabo na Terra do Som (1964) e Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969). Dois filmes que se vc não conhece e não viu, vc não vai entender e nem gostar quando assistir. Entretanto, se vc ver não vai esquecer do Antônio das Mortes, nem do nome e nem da sua imagem. E eu não sei explicar o porque disso. 







Zé do Caixão - Uma vez entrei numa loja e achei uma camiseta do Zé. "A meia noite levarei a sua alma" tava escrito nela, era bonita, tinha cruzes e um cemitério, comprei. Usei ela só uma vez e depois nunca mais a achei. Eu desconfio que minha mãe jogou ela fora porque a ocasião em que a usei não era propícia pra fazer propaganda da morte. Minha mãe acha que caveira, cruz, roupa preta, é coisa do capeta. Ela sempre negou o crime. Fico um pouco triste sempre quando lembro da camiseta.









Jorge - Esse é meu fodão favorito do cinema nacional. A eterna frase da semana do blog ali acima é dele, o bandido da luz vermelha. 
   Agora, quando a parceira dele no longa, Helena Ignez, decide filmar a continuação do filme com o título de Luz na Trevas (2010) e chama Ney Matogrosso para interpretar o bandido, cara, que decepção! Até hoje não me interessei em ver o filme. Pra mim soa como se Elton John tivesse sido chamado pra fazer o personagem do Sylvester Stallone no Rambo IV.







Secundino Meireles - O malandro interpretado por Hugo Carvana em Vai Trabalhar Vagabundo de 1974 é foda. Esperto, bom de conversa, sempre se dando bem com a mulherada e sempre encontrando maneiras pra descolar uma graninha sem precisar pegar no batente. A vida é curta demais pra desperdiçar trabalhando. Cerveja, sinuca, mulher, jogar conversa fora, aí sim!








Vadinho - Junto com Secundino e Macunaíma forma uma especie de santíssima trindade da malandragem e da vagabundagem do cinema brasileiro. Boêmio, putanheiro e vadio, o divertido Vadinho só queria saber de farra. Estilo de vida que o leva a uma morte precoce. Contudo ele volta pra sua esposa, que mesmo já tendo casado com outro, um homem direito e bem comportado, sente falta dele. Mas a doideira do filme é que ele volta pelado, sempre pelado, um espírito pelado! Espírito Pelado!?? Do filme Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), 10 milhões foram aos cinemas ver o filme do espírito pelado.






Lírio - Tinha que ter um representante da pornochanchada, né? Um caipira ingênuo do interior tem um talento muito especial, mas não sabe. Um belo dia, umas dondocas de São Paulo descobrem o seu dom enorme e o levam pra capital e aí então a putaria começa no melhor estilo old school brazilian movie. O Bem Dotado, O Homem de Itu de 1979 é o personagem mais bem sacado do mundo da pornochanchada onde na real o que importava era buscar pretextos criativos para mostrar mulher pelada na tela.









Hugo - O garoto de 12 anos vive num bordel e come a Xuxa e a Vera Fischer no filme Amor Estranho Amor de 1982. Reverência eterna a esse moleque. Sem mais. 








João Grilo e Chicó - Depois de duas décadas sem criar um ícone pop nas telas o cinema nacional trás dois numa paulada só. No quesito simpatia pra bater esses dois aí no cinema tupiniquim, num tem.
Mas não quero mais falar deles, ou melhor, não quero mais falar, nem ver, nem ouvir Selton Melo por uns tempos. Não suporto mais ver o cara em tudo quanto é filme. Diretores, vamos variar esse elenco!!







Dadinho - "Dadinho é o caralho! Meu nome é Zé Pequeno porra!", a  frase que virou meme, do personagem mais marcante desse que deve ser o melhor filme nacional já feito. Zé pequeno era mau, ambicioso, não tinha escrúpulos! Conquistou mais do que sonhava conquistar como traficante na Cidade de Deus, mas ficava inseguro e se atrapalhava para convidar uma moça para dançar. 
- Morena você quer dançar comigo?
- hã?
- Você quer dançar comigo!?
- Hã, não entendi.
- Você quer dançar comigo!!!?
- Não, não, "brigada", eu tô acompanhada.





Capitão Nascimento - O filme Robocop conta a história de uma policial que depois de gravemente ferido é transformado num policial ciborgue, pois bem. Quando eu soube que o José Padilha, diretor de Tropa de Elite, iria dirigir a refilmagem de Robocop eu pensei, "que legal não seria se ele transformasse o Cap. Nascimento no Robocop, em??" Cara, nós teríamos então finalmente quem sabe um fodão brasileiro pra bater de frente com qualquer um do cinema americano! É, mas, não foi dessa vez.






   Esses foram os mais legais, mais interessantes, que consegui encontrar. Tem alguma sugestão? Talvez tenha esquecido de algum e esteja cometendo alguma injustiça. Comente, se concordar contigo atualizo o post.
   Uma coisa interessante que notei pesquisando e refletindo a respeito é que tem uns nomes que por si só são personagens do cinema nacional, como Paulo Cesar Pereio (foto), Jece Valadão ou Davi Cardoso. Entretanto, apesar de sua presença marcante no cinema não dá pra escolher um filme em que eles tenham interpretado um personagem que tenha se sobressaído mais do que eles próprios. Eles, enquanto atores/pessoas ofuscaram seus personagens. Parece que na história do cinema brasileiro ninguém foi capaz de escrever um papel que possibilitasse a um desses três interpretar um personagem suficientemente "foda" pra figurar entre os grandes de todos os tempos da nossa cinematografia. Ou pelo não pra essa humilde lista aqui.

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