domingo, 1 de maio de 2016

A catástrofe intelectual brasileira

Guerra civil digital 

   É um lugar comum afirmar que a educação no país é péssima, contudo, em nosso país as pessoas não conseguem perceber a real dimensão dessa afirmação. E isso se dá justamente pela péssima qualidade do ensino que não permite que análises suficientemente complexas sejam feitas pelos intelectuais e educadores para que esses se deem conta que eles também são vítimas de uma péssima educação.
   E esse fenômeno fica impressionantemente evidente nas redes sociais. Tenho bastante críticas a fazer as redes sociais, claro, mas não nego que vejo nelas também maravilhas. E entre as maravilhas que elas nos proporcionam temos a possibilidade de acompanhar em tempo real o que os mais diversos e destacados intelectuais do país estão pensando, o que a "vanguarda" do pensamento brasileiro pensa sobre o Brasil e o Mundo. Uma maravilha que no fim promove grande desgosto. Ao acompanhar esses posts diariamente percebo frustrado, uma grande desconexão entre o que está acontecendo de fato no Brasil e no Mundo e o como a nossa elite intelectual interpreta os fatos, desprovida de ferramentas cognitivas contemporâneas mesmo estando imersas nas mais modernas ferramentas de obtenção e compartilhamento de informação. Ler os seus posts alimenta em mim uma desesperança abismal, o que me leva a escrever coisas como as que aqui exponho.

   Dessa forma, vítimas de anos de um ensino tosco, da influência de valores distorcidos, de uma cultura de gostos duvidosos e premissas discutíveis, reproduzem discursos que longe de contribuírem para uma transformação da sociedade, fomentam a discórdia entre os cidadãos, num palavreado cheio de meias verdades e tendencioso, baseando-se em conceitos completamente antiquados, do tempo da vovó.  
   E nessa guerra de trincheiras digital, escondidos atrás de seus monitores, essa classe média lança bombas de defeito moral em seus inimigos enquanto que, como em todas as guerras, os financiadores do conflito e os donos das armas e os seus agentes passam incólumes tirando proveito da situação moldando-a de acordo com os seus interesses e com o seu planejamento prévio.

   Nessa guerra de discursos, os donos das armas, os seus criadores, os donos dos discursos usados para atacar aos adversários nos campos de batalha  - que do terreno digital se alastra para as ruas, calçadas e restaurantes - se mantém invisíveis, e essa classe média intelectual educada para ser mediamente intelectual não se dá conta que está repetindo mais uma vez de novo a História, servindo como fantoche (boneco de ventriloquia ou marionete) dos poderosos enquanto que no fim das contas quem realmente vai sofrer na pele alguma dor física é a grande maioria da população que essa classe intelectual não consegue perceber que é escravizada e que sua atitude vai ao encontro da perpetuação da condição de escravos do povo, que vítimas também desse grande engodo educacional menos ainda, bem menos, conseguem ter alguma ideia do que está acontecendo.

   Não soaria estranho dizer que as armas dessa guerra possuem donos se, por exemplo, essa classe intelectual compreendesse Foucault. O filósofo há muitos anos é o mais citado nos meios acadêmicos e é ao mesmo tempo o menos compreendido. Por que não é possível racionalmente falando que uma pessoa se diga, por exemplo, um estudioso e continuador das ideias de Foucault e ao mesmo tempo considere a luta política como uma obrigação intelectual ou como alguma coisa que faça qualquer sentido hoje. Mas é isso o que acontece, o que, racionalmente falando, equivale a dizer e ensinar que 2 + 2 = 5, mas numa sociedade em que a educação é péssima, não há profundidade cognitiva para que a classe intelectual se dê conta de suas incongruências e um discurso como o meu aqui será desqualificado de mil maneiras grosseiras, numa cultura de debate de um sistema educacional onde a carreira profissional é o maior valor e a compreensão e o entendimento são prerrogativas quase utópicas, distantes, privilégios dos gênios, e onde há pouco lugar para auto-críticas. 

   Acredito que poucos terão a curiosidade de se aprofundar no que digo ou talvez de me perguntar "e então, o que você quis dizer com isso?" Pois hoje, prenomina a postura intelectual em que se você não concorda comigo você é o inimigo, se você destoa, deve ser isolado, ignorado, trucidado, como no tempo da vovó. Contudo, só há debate onde há discordância, discordância é necessária e debates são necessários, princípios bem elementares da tal democracia que defendem.
   E um outro detalhe. Para concluir, só gostaria de assinalar que os donos dos discursos, dessas armas usadas nessa guerrinha digital anacrônica são os mesmos donos da educação, ou seja, os mesmos senhores que minam a capacidade de pensar da população depois munem essa população com discursos que ela mesma usará como tacape, foice, metralhadora, bomba, estilingue, para atacar o seu irmão, vizinho, amigo, conterrâneo que no fim é uma vítima também, não o inimigo. Eis a catástrofe intelectual brasileira.


Uma luz no fim do túnel: existe um site que você pode usar para descobrir o que está por trás de todo esse cenário de disputa ideológica, pode aprender mais sobre política, sobre a fabricação de discursos, sobre Michel Foucault e os filósofos pós-modernos, sobre Sociologia, História e uma infinidade de coisas que se você se aprofundar estará se aprimorando e ao fazer estará contribuindo com a melhoria da sua educação e a de nosso país. O nome desse site é Google. Para acessá-lo basta clicar aqui https://www.google.com.br



Outras reflexões sobre a paralisia intelectual e cultural do país você encontra nos links:

Reflexões sobre a inutilidade da Direita e da Esquerda

Goldman Sachs o banco que domina o Brasil e o mundo

Brazil está dividido entre republicanos e democratas

Os Americanos

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